Para uma Clínica do Imaginário

Atualizado: Jan 8

Dezembro 21/12/2020 | Sergio Spritzer ©


Introdução:

Uma metáfora inspiradora do modo composto de pensar vem de uma antiga fábula do oriente


Um grupo de cegos examinavam um objeto maior que eles, procurando definir do que se tratava. (O narrador diz que se trata de um elefante e descreve como cada um deles procede): Um deles toca a orelha do animal e imagina que é uma palmeira. O outro toca a perna e imagina que é um tronco de uma árvore. O terceiro toca o rabo e imagina que é um cipó. O quarto toca a trompa e imagina que é uma cordoalha de amarrar um navio e “conclui” que já haviam chegado ao cais do porto onde pretendiam pegar um navio. Outro contestou dizendo que era um barranco ao tocar o tronco. Como saber “A Verdade?”


A verdade para este conjunto de pessoas é uma composição de percepções que surge como uma representação composta entre eles. É pelo efeito de composição de imaginários que cada uma das pessoas tem acesso ao fenômeno elefante, que nesse instante vira real para todos. Essa “propriedade emergente” só existe como efeito das interações entre eles. Fixados cada um na sua visão continuariam sustentando um imaginário distorcido e lutando para impor o seu ao outro indefinidamente. Abrindo-se para a interação, aparece um novo campo, transcendente de formação de sentido, mais inclusivo que o do eu, do tu e do ele. É o campo do Nós. Ele só é perceptível como uma meta-percepção, o que existe entre a percepção do eu de cada um e o eu de cada outro.


O elefante então passaria a ser consciente e existente. Poderia ser evitado ou utilizado como meio de transporte ou indício de onde está o grupo de peregrinos cegos.


E se o elefante fosse construído imaginariamente? O elefante poderia ser criado entre eles mesmo sem ter uma existência física, como exercício metafórico de pertencimento em um grupo. Um imaginaria que está segurando cada uma das partes do animal até todos imaginarem em três dimensões a forma dele desde um imaginário composto.


Esse grupo de peregrinos poderia ser qualquer relação humana em busca de uma compreensão, ao menos tridimensional, de sentidos não fechados em si mesmos. Poderia ser um casal procurando a sua identidade de casal, uma família, um grupo de amigos, uma equipe de uma organização humana de natureza em busca de sua identidade de conjunto.


O movimento de dividir-se em dois e uma das partes de si se colocar vivencialmente no lugar existencial do outro e perceber como é se relacionar desde ali, ao mesmo tempo que o outro realiza a mesma operação de divisão do seu eu, de forma recíproca e então essas operações singulares sejam compostas no plural, produz a emergência uma nova instancia que é o do Nós. Esse Nós é a referência para uma prática transformadora de um grupo desde uma clínica que chamamos de clínica do imaginário.

Como cada um de nós é essencialmente um grupo de vivências com relações variadas no tempo e no espaço das nossas vidas particulares, o mesmo princípio operatório vale quando examinamos os múltiplos eu’s e outros da nossa história pessoal imaginando de um modo pelo qual é possível procuramos interagir com eles e oferecer uma posição aberta a eles interagirem com a gente em qualquer tempo. O resultado disso tudo é o aparecimento de uma realidade emergente que é o nosso eu transcendente, o que que dá sentido a nossa vida inteira e se pergunta qual é o sentido desse ou daquele momento em relação a toda nossa vida.


Esse texto vem a suceder o de fundamentos da Consciência Relacional em direção ao modo composto de pensar e tem por objetivo qualificar como é possível uma prática de investigação e intervenção clínica através da imaginação ativa e co-ativa desde que se defina a disposição, desejo ou expectativa de definir e/ou alcançar uma meta ou um objetivo em comum.


O corpo é a referência imaginária original de todas as outras, físicas e mentais. Um objeto está em cima, ao lado, dentro ou fora de outro objeto em referência a posição corporal que pode estar dentro ou fora de tal objeto. Pessoas, da mesma forma, podem estar mentalmente acima, abaixo de lado, atrás de si e de outros, em operações complexas do imaginário mental que tem a referência física como base. Em suma, se algo é, é para uma representação de si corporificada. Tanto isso é , que a existência e a identidade têm como evidência a percepção de si: ver para crer ou crer para ver, em ambos os casos o eu é que opera como referente. E o referente ao eu é a sua representação física. Se no plano físico a retirada do eu causa a morte, no plano mental ocorre o mesmo.


A percepção de si em relação a dos outros é inevitável. A auto-referência só se tornou possível pela interação com determinados outros com a devida auto referência desenvolvida, através da qual espelhando, incorporando e assimilando o espelhamento do outro, nos percebemos sendo um eu entre outros.


Daí a necessidade de uma metodologia que componha o auto e o hetero-conhecimento de uma realidade de interesse em comum.


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