A GUERRA NA UCRÂNIA: RETORNO DO RECALCADO?

Atualizado: 11 de mar.

© Sergio Spritzer - 10 março de 2022


O plano não examinado da realidade vem à tona: sempre foi assim.


Quando menos esperamos, preocupados com o aquecimento do planeta é coisa do tipo, a segunda guerra reaparece com as ameaças atômicas, cujos efeitos não são nada atômicos. Muito pelo contrário, são massivamente devastadores. Coisas mal resolvidas retornam e com muito mais força, alertava Freud.


Por mais que se tenha críticas a uma espécie de supervalorização da palavra, do falar e da sexualidade na obra freudiana, há de se convir que a nossa representação da realidade não é mesmo linear, superficial e sim profunda, no sentido de comportar ao menos três dimensões.


A linearidade é apenas uma sequência a ser seguida, o pensamento na sua forma mais simples.


A superfície é uma zona de desvio do curso, (do dis-curso). Você pode se sustentar em uma superfície, deslizar nela, mas não se aprofundar nela.


A representação profunda da realidade acontece em três dimensões e nos implica tanto como atores em primeira posição quanto como espectadores em terceira e quarta posição. Também nos implica na responsabilidade de escrever e ensaiar o roteiro. A posição de responsabilidade. Nela somos livres para nos determinar sabendo o que fazemos em pelo menos três dimensões.


A tridimensionalidade do pensamento oferece uma infinidade de pontos de vista que a linearidade não consegue, a superfície tem os seus limites.


O que nos deparamos neste momento são efeitos de experiências mal conversadas mal resolvidas desde o início do século.


Como fazer para lidar com experiências mal examinadas?

Examinar e tratar delas, ora bolas.


Esse filme a gente já viu: os cientistas anunciando que haveria alta probabilidade de aumentar a temperatura do planeta sendo isso catastrófico para todos. Haveria uma pandemia, os líderes dizendo isso em discursos inflamados e o que aconteceu? Nada significativo.


Um físico nuclear de nome David Bohm se intrigava com isso. Tinha visto até seu colega e contemporâneo Einstein ir às turras contra Heisenberg nos encontros da sociedade real britânica de física, sem compreender por que essas pessoas geniais perdiam tempo com essas discussões que não levavam a nada de interessante. O mesmo se observou com Freud e seus alunos, quando não seguiam a sua cartilha…


Como se comenta nos meios religiosos, é pouco provável que os antigos sábios fossem levados a sério se aparecem assim de repente na porta de uma prestigiosa instituição. Sócrates, Platão Aristóteles, teriam realmente vez e voz, presença, sem um diploma de uma prestigiosa universidade?


Nessa perspectiva não é de se estranhar que a força bruta tenha sido tão empregada mesmo neste século, das altas tecnologias. E mais: não parece estranho que as tecnologias sejam mais a serviço dela, da força bruta, da irracionalidade relacional humana, do que para a constituição de modos em comum de se conviver.


Não sabemos nos relacionar e isso a tecnologia não entrega. Ao contrário, parece distrair dessa questão central da realidade humana.


Então, o que é urgente?


Preparar as pessoas para pensar de forma composta umas com as outras. Há séculos isso é necessário e não podemos esperar outros tantos séculos sob pena da extinção da nossa espécie. E possivelmente das outras.


Nosso projeto de pensamento composto, em forma de grupo de estudos, é muito favorável para promover a comunicação efetiva e inteligente em equipes, organizações, além da prática do "conhece-te a ti mesmo".

Convidamos o leitor para conhecer nossa metodologia e querendo se engajar, estaremos abertos a recebê-lo.

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