Introdução ao estudo da Realidade Humana: O que você não Imagina que Imagina.

Atualizado: 11 de mar.

Sérgio Spritzer © 2021


"O cientista examina em laboratório um fragmento de uma coisa, um tecido ou similar. Dependendo da tecnologia ele pode ajustar seu equipamento para examinar de perto, de dentro, de muito dentro até o plano molecular, atômico e subatômico. Se estiver examinando algo de muito fora de si, também existem equipamentos para examinar de longe, de muito longe e até de outros planetas e galáxias. Ele pode examinar também tanto que precisa escolher que fragmento da galáxia pretende examinar. E o mais curioso é que ele vai usar conhecimento do universo, das coisas muito pequenas, para estudar também as coisas muito grandes: os elementos químicos formadores da matéria, as formas de energia e massa.


A presença e determinação do cientista cria resultados muito ajustados a forma como ele pesquisou. Depois será um enorme desafio ele agregar seu trabalho tão peculiar ao de outros e formar um senso comum de compreensão mútua. Combinar experiências examinadas de forma muito complexa de parte de cada um e imaginar como ela faz sentido para ambos e além deles, é um desafio análogo ao de conversar entre pessoas que são experiências ainda mais complexas que os macro e microcosmos estudados entre cientistas. Eles ficam estáticos se vistos de longe, mas apresentam uma dinâmica profundamente complexa ao ponto de não poderem ser fixados para estudo, quando observados de forma muito próxima.


Observando o nexo entre micro e macro realidades.

É essa a significação de um filme que vi há muito tempo: um jovem remando calmamente em um belo lago de águas calmas em uma paisagem lembrando um lago suíço. A câmera aproxima-se lenta e progressivamente ao ponto de aparecer um mosquito picando o braço dele sem que ele perceba. O observador entra dentro dessa cena, mostra o sangue sendo sugado no bico do inseto, dentro dele as moléculas de hemoglobina, dentro delas os átomos, dentro dos átomos, os elétrons como ondas de energia girando em torno do núcleo e dentro do núcleo, as partículas subatômicas até o observador se implicar dentro de uma delas e enxergar apenas uma vaga nevoa indiferenciada. Então para uns instantes e o observador retorna rapidamente percebendo retroativamente as estruturas já descritas até despregar-se do braço do jovem e tomar o espaço em torno do barco, em torno do lago, na região do norte da terra, em torno da terra, deixando-a para trás e em torno do sistema solar se afasta rapidamente até o meio da galáxia e mais ainda o observador se percebe observando uma névoa vaga, muito semelhante ao mundo além do subatômico. Permanece por segundos e retorna rapidamente até a dimensão inicial do filme em que se percebe o jovem remando. Nesse momento o filme ganha movimento e o barco segue, o menino rema e a vida segue.


Esse filme de ficção coloca em evidência como nosso imaginário constrói a realidade que estudamos e a necessidade de compreender nosso imaginário antecede compreender o universo como uma realidade dada em si mesma sem necessidade ser pensada e examinada. Imagine então como a compreensão da fenomenologia imaginária pode ajudar no trato das relações humanas."

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