O que queremos?

Sérgio Spritzer © 2021


“O que tu queres?” perguntam-se quase ao mesmo tempo e riem disso. Aprendem como se fosse uma dança, qual é a hora de escutar, de ouvir, de ver e ser visto, de sentir e ser sentido. Com o tempo, terão a oportunidade de perceber se serão apenas amigos ou formarão um casal, com vida própria de casal capaz de arcar com uma ideia de família, talvez. O desafio de imaginarem uma vida em comum era dada por estereótipos históricos que tinham sido estabelecidos no subconsciente das diferentes culturas em cada povo. Assim era fácil escolher e tomar decisões, pois bastava seguir o que estava determinado e até prescrito. Agora não mais.


Os movimentos de interação, experimentação, geram naturalmente em descobertas e surpreendem, se redefinem, se dobram e se desdobram para resultar vínculos que se renovam para se manterem estáveis, serem infinitos em intenção, mas só eternos enquanto duram como canta o poeta Vinicius de Moraes. As relações se tornam mais plásticas e “liquidas” (Bauman), mais pós determinadas (vamos experimentar para saber) ao invés de predeterminadas (vamos saber para experimentar). O mundo contemporâneo demanda por menos explicações e mais implicações. A realidade ou realidades mudam e se transformam rapidamente.


Nascem os filhos nesse mundo contemporâneo e eles se defrontam com múltiplas realidades, não tão predeterminadas como imaginavam seus pais. Eles precisam desenvolver uma imensa competência e responsabilidade em escolher em realidades diferentes das tradicionais.


Quando recebo pessoas em consulta não é mais tanto para curar doenças, traumas e sim para qualificar as suas vidas e ajudar a reconhecer quais são os imaginários possíveis para adiantar a sua história em direção ao futuro próximo e se possível distante e em escala. Será possível desta ou daquela maneira? Como testar futuros possíveis com outras pessoas?


Quem? Onde? Como? Quando?

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