Os Planos do espaço e o sentido das nossas experiências mentais.

Sergio Spritzer © julho 2020.


Em português clássico antigo costumava se usar a expressão, muito elegante: minha Senhora, a minha pessoa pode dirigir-se à sua nesse momento?

A psicologia da linguagem nos ensina que o sujeito psicológico, eu da enunciação, é diferente do eu o que é dito, o eu da linguagem, o eu “real”. “Pensando com meus botões”, por exemplo, o primeiro é o eu psicológico e o segundo, o dos “botões” é o eu vivido fisicamente: o modo como eu me enxergo, me sinto fisicamente. O eu psicológico você não pode registrar a não ser psicologicamente. O eu físico, sim: pode gravar em vídeo, áudio, fazer registros fisiológicos e assim por diante.


A gente tem acesso ao eu representado através da imaginação. E a nossa imaginação depende de como a nossa neurologia funciona. Especialmente quando diz respeito a lateralidade dos hemisférios cerebrais a sua influência decisiva na forma como percebemos a realidade objetiva e subjetiva. Vários estudos com pessoas normais e com lesões cerebrais indicam que as pessoas percebem o campo espacial de uma forma bem diferente quando é percebido seja pela visão, audição ou sensações físicas do lado direito do corpo ou do lado esquerdo.


Outros estudos também indicam que se a experiência estiver representada de forma mais alta em relação a representação do corpo, tende a ressaltar a qualidade visual, na linha dos olhos, a qualidade auditiva, e abaixo, a qualidade associada as sensações. Como cada hemisfério está associada a diferentes estilos de atividade mental e existe um cruzamento muito grande de feixes neurais entre eles, a atividade associada ao campo da direita se relaciona ao estilo do hemisfério esquerdo e o do campo esquerdo.


Os neurocientistas estão em consenso de que o hemisfério direito está relacionado às experiências de intuição, criatividade, impressões simultâneas e sintéticas da realidade física ou mental. Por outro lado, o hemisfério esquerdo se relaciona ao pensamento crítico, analítico, aos modos passo a passo, sequencial, metódico.


Anatomicamente, ambos processam a maior parte dessas informações ou estímulos que vem e vão para o cérebro, o fazem através de campos opostos, cruzados, em relação a linha média do corpo.


_ “Vamos deixar isso de lado.” Dependendo de qual for o lado tem diferentes sentidos. Se deixar do lado esquerdo, a tendência pode ser que ela seja percebida de forma mais impressiva e fácil de imaginar. Sem deixar de lado à direita, talvez, seja uma experiência que seja mais fácil de ser pensada analiticamente, julgada e compreendida “com isenção” ou seja sem maiores arroubos emocionais e despertar de sentimentos.


_ “Essa meta está longe de ser alcançada.” O tempo percebido no espaço, como distância. O quanto mais longe, maior é o tempo. Também indica o tempo futuro, pois implica algo “à frente”. Experimente colocar suas metas representadas atrás de si e verifique que sentido essa experiência toma para você.


_” Esse problema está acima de minhas possibilidades.” Você experimenta o seu comportamento, postura, atitudes ou possibilidades deles, como menores em tamanho do que percebe com sendo “o problema”.


“O problema é a diferença entre um estado inicial ou final”. Essa definição de problema é a versão temporalizada entre representação subjetiva entre duas experiências. Na maioria das pessoas evoca uma trajetória a ser perseguida linearmente. Mas, nas narrativas de vida das pessoas nem sempre a menor distancia entre dois pontos é a mais eficiente quando o campo for a das relações humanas. Por exemplo, uma abordagem impulsiva, pode inviabilizar o acolhimento de uma oferta por alguém que poderia demandá-la em tempos e circunstâncias mais oportuna para ele. O telemarketing é um exemplo paradigmático dessa à abordagem invasiva.


_“Você é meu braço direito”. É uma pessoa com comportamentos previsíveis, racional, metódico. A pessoas com certeza tem um temperamento criativo e instável. Em uma tarefa voltada para planejamento e resultados um sujeito assim fica à esquerda; é imprevisível e não cumpre protocolos.


Seu jeito de pensar é o de uma pessoa de esquerda/de direita...” são correlações muito interessantes das formas de imaginar que afetam nossa forma de pensar, tendo uma fundamentação na lateralidade hemisférica. À direita um modo de perceber e pensar mais conservadores e hierárquicos, disciplinados. P. ex., “Ordem e Progresso”. “Liberdades pessoais”. O individual e local como família, tradição e propriedade. No campo espacial à esquerda, os modos de perceber e pensar mais voltados para a coletivização e ao coletivo: “unidos somos mais fortes”, pela igualdade” ; “pelo bem de todos juntos, sem distinções”. “O povo inteiro.” “Servir a sociedade; fazer bem ao mundo.”


_“Vamos deixar isso tudo para trás”. Em relação ao campo espacial do corpo, deixar pra atrás, implica em um convite de deixar a experiência às costas e seguir adiante. Outra forma com qualidade semelhante seria: vamos deixar isso de lado, vamos colocar uma pedra nessa história e deixar bem enterrada. São variações sutis com efeitos sutis da relação consigo e com os outros. E outra distinção em deixar para trás é no eixo diagonal: deixar para trás no viés Esquerdo tem sentido diferentes do que atrás e no viés Direito. Experimento com uma experiência significativa.

A dor e prazer físicos e mentais, se dissociam para se recompor.

Se você sente uma dor em alguma região do corpo, superficial, profunda, bem definida ou vaga, em fincada, ardência, pulsante e assim por diante ela é física embora referida subjetivamente. Quando ela aparece deserta uma emoções e um sentimento psíquico: qual é o sentido dessa dor para minha biologia é diferente de qual é o sentido dessa experiência física para mim ( sujeito, plano psíquico). Digamos que uma pessoa está sozinha em casa e sente medo de algo pior acontecer em função dessa dor. Medo é a reação psicológica (mental) à dor física. Por outro lado, você pode ter perdido a sensibilidade física da dor e após uma cirurgia reparadora, a pessoa ficar feliz por ter recuperado a capacidade de sentir. Nesse caso o teste de ficar uma agulha evoca uma resposta psicologia de alegria e satisfação.


Procure as formas de ver, ouvir e sentir que representam a sua pessoa com relação a si mesmos(as) e aos outros e como estas formas de representar as experiências se compões no plural, em um sujeito no plural , o Nós, que representa a nossa pessoa em relação as outras pessoas, singulares ou plurais.

Desde o início da psicologia da linguagem se admite o que o signo linguístico, ou seja, a palavra dependa de um lado do significado arbitrário dado ela história da linguagem naquela comunidade ou cultura.


Mas por outro lado, esse significado evoca experiências subjetivas o que são modos de ver ouvir é sentir referidos aquela determinada palavra.

O signo linguístico, portanto, tem uma parte objetiva e arbitrária o que é o significado e outra parte subjetiva independente da percepção o que é chamado de significante. por exemplo a palavra árvore evoca uma experiência a respeito de árvores em quem leu escreve eu falo escuta referidas há um código da língua, o nome árvore.


O que é a palavra árvore significa depende tanto da experiência subjetiva de cada um quanto de uma ordem predeterminada da linguagem comum a todas as pessoas.


para você estudar o significado das palavras o caminho é a linguística. para você estudar o que ela evoca como significante o caminho é a psicologia da linguagem.


não é por acaso que os hemisférios cerebrais são 2 assim como os olhos os ouvidos os braços as pernas. o trabalho de constituir um signo depende na composição entre uma dimensão passada arbitrária, predeterminada da língua com as suas regras e leis perdi uma dimensão presente voltada para o futuro, dependente de contexto de cada sujeito falante ou ouvinte, e voltando pela sua imaginação no sentido que lhe é próprio.


quando trabalhamos em comunicação efetiva o foco é na forma como as palavras evocam experiências e elas facilitam ou atrapalham os modos como pensamos.


Invariavelmente cada um de nós representa a si e ao outro como formas de ver ouvir sentir projetadas no espaço fora do corpo o introjetada das dentro do espaço interior ao corpo.


Habitue-se em representar a sua pessoa e os outros através de eixo com planos tridimensionais e verifique como a sua expressão nos mesmos eixos espelha ou contrasta com a do outro com respeito ao exame de uma experiência em comum.


Examine especificamente como você posiciona uma experiência que lhe afeta em certas regiões tridimensionais e como essa experiência é percebida como sendo em comum com o outro. Por exemplo, como você percebe o amor, a confiança, etc., entre você e uma pessoa muito importante de uma forma de representação semelhante ao da outro, como se fossem em espelho. A impressão subjetiva é a de uma união, Experienciando a “mesma coisa”. Quando a representação tridimensional e suas variações tendem a um padrão flexível e em comum (em sincronia e sintonia) a chance de vocês estarem em coerência relacional é muito mais provável do que em representações que não são correspondentes. Uma sabe (não adivinha) o que o outro tende a pensar, ver, ouvir, compreender e fazer. A boa forma de comunicação passa pela boa forma de representação as experiências entre as pessoas.

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