Planejar é um Improviso. A realidade é imprevisível.

Atualizado: 11 de mar.

©Sérgio Spritzer, 2021


Toda forma de planejamento é necessariamente um improviso. Não pode gerar uma realidade.


Mentalidades simples e criativas como a de um gênio do futebol, Garrincha, já tinham noção do poder da contingência, do contexto na formação da realidade. Feola, técnico da seleção brasileira de futebol da época, treinava uma jogada para uma final de copa contra o time russo. Garrincha saiu de campo debochando: "Ô professor, tu avisaste os russos para eles deixarem a gente fazer essa jogada? Não adianta só combinar entre a gente aqui...."


De fato, qualquer forma de planejamento e treinamento não funcionam sem a compreensão do contexto externo à realidade em exame. Garrincha, embora não fosse um exemplo de disciplina e desembaraço atlético, era considerado um gênio do futebol, por criar jogadas inesperadas, impossíveis de serem imaginadas com antecedência pelos adversários.


A jogada aparecia no contexto do jogo. Não eram (e não são) planejáveis e replicáveis em treinamentos preestabelecidos. Elas aparecem como inovação dentro de uma situação que parecia impossível.


Na história humana, as descobertas que transformaram nossa forma de vida, não foram concebidas através de treinamentos e planejamentos.

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