Se editar o Filme, muda a Realidade?

Sergio Spritzer. outubro 2020.  A representação da realidade é como um filme: como você percebe depende da forma como o filme foi filmado. E a imaginação pode ser editada a qualquer momento. A realidade também pode mudar e o filme que seria um retrato fiel só daquele momento, não dar conta da realidade no momento seguinte.  


Mesmo sabendo essa diferença, as pessoas com frequência acreditam mais em seu imaginário do que na realidade. Isso fica evidente nas filas das loterias e casas de jogo ao redor do mundo. Pessoas têm mais medo de morrer de Covid19 do que efetivamente essa doença é capaz de matar. Por outro lado, se tomam uma substância “inócua”, como placebo, isso pode levar à efeitos reais se isso estiver coerente com as suas expectativas. O Imaginário humano se expande graças a tecnologia como a escrita, leitura, telefone e agora, mas mais ainda com a internet, a tal ponto de não sabermos o que é real ou verdadeiro a não ser por referência a outras imagens que confiamos mais.


Quando as lembranças têm muita intensidade e principalmente quando ameaçadoras a nossa integridade, ficam guardadas como cicatrizes sensíveis. Doem quando se mexe com elas. E tendem a ficar mais expostas na relação que mantemos com a realidade do que as memórias positivas, como uma espécie de linha de defesa. O problema é, como a gente sabe que imagens negativas, sejam elas evocadas ou construídas, pode ser distorcida para quando estamos submetidos a uma forte carga emocional como na paixão e no ódio.


Em ambos os casos perdemos a noção de razoabilidade e nos deixamos levar por impulsos em busca de uma solução mágica para um sofrimento ou carência. Fulano ou fulana é a causa ou é a solução para tudo na minha vida. Tal remédio, casa, viagem resolverá tudo que me falta.


Nosso imaginário segue o princípio da simplicidade e da emocionalidade: o que for mais fácil de ser representado e evocar maior carga emocional, será a “causa” para explicar e nos mover na realidade. Está fazendo muito calor; então vai chover. Fulano é muito hostil; deve ser mal-amado. Estou me sentido mal; vou tomar um remédio para passar. As emoções ao invés de serem examinadas, levam a uma reação imediata de ir ao encontro ou afastar-se. “Quem bom que você está aqui, fulano(a), estava há tempos querendo falar com você” e começa a falar desmesuradamente, sem perguntar ao outro se ele também quer falar naquele momento. Se ele interrompe e some, o sujeito acha rude e deselegante.


Emoção como diz a raiz da palavra é o que move a pessoa.


Ela aparece em situações de necessidade e não de vontade.  Ela aparece para ser saciada e não para fazer sentido. Você estranharia um vendedor que lhe apresentasse um serviço ou produto querendo realmente saber suas mais legítimas demandas, lhe dando um tempo indefinido para pensar a respeito. Uma pessoa olha a vitrine e vem o vendedor. O sujeito diz: “Eu estou só olhando. Isso estou vendo, senhor. _O que lhe pergunto é o que vai fazer quando se interessar por essa blusa, calça, etc. tão maravilhosa...” A persuasão está presente o tempo inteiro; agir por impulso (“compre já”) é a tônica da sociedade de consumo.


Se fosse uma abordagem baseada em afetos, ou seja na forma como as pessoas se afetam mutuamente, daria bem mais trabalho. Haveria necessidade de perceber como o cliente se move, olha e puxar conversa sobre outra coisa até encontrar um assunto em comum que seja simpático para ambos. Contar estórias de interesse comum e ajudar o cliente a definir a sua demanda, mesmo correndo o risco de não vender de imediato o produto tem a vantagem de estabelecer uma relação de confiança. Uma rede de confiança vale mais que uma venda isolada ao longo do tempo.


Imaginar uma pessoa passando dificuldades não é o mesmo que imaginar uma solução para ela e muito menos para outras pessoas na condição dela. A reação emocional é de origem muito antiga, associada ao instinto de preservação da vida e integridade física da pessoa e pessoas próximas. Não evoca imagens qualificadas capazes de levar a percepção de sentido na relação entre pessoas e sim a ação.


Preferimos então falar em inteligência Afetiva e não Emocional, para nos referir a capacidade de criar uma coerência de sentido percebida entre pessoas, composta e redefinida entre elas, diferenciando-a da reatividade emocional.


Informe-se sobre nosso curso Usando o seu Imaginário para obter mudanças Reais pelo e-mail contato@neurocom.com.br

inte.gif