A Inteligência Relacional Humana

Atualizado: 11 de mar.

© Sérgio Spritzer, 2021


A imaginação nos assombra. Tudo que percebemos depende dela. Por exemplo, vemos ao microscópio como uma ameba se orienta no espaço em relação ao alimento e às outras amebas. Quando a água rareia, elas avisam-se quimicamente e reúnem-se formando um esporo suficientemente volumoso para ser levado pelo vento até outro lugar com mais umidade. Encontrando um ambiente próprio, o esporo se desfaz e as amebas individuais tocam as suas vidas aparentemente sozinhas. Elas têm alguma forma de com-ciência da presença uma das outras, ainda que isso seja evidente apenas como a emissão e recepção de mensagens químicas.


É impossível imaginar a inteligência desses seres apenas tomando-os uma a um. As amebas não têm uma mente embora interajam de uma forma coletiva frente a um desafio. Imaginamos os vírus como entidades fisicamente individualizadas, mas também sabemos que cada um desses fragmentos químicos só produz uma infecção perigosa se estiverem em grande número e com alguma forma de inteligência coletiva operando entre eles como uma “força” infecciosa. Isolados não tem força e não tem perigo.


Seres humanos vivem as suas vidas particulares, mas se reúnem quando desafiados por uma meta a ser alcançada em comum ou por uma ameaça externa. E aí adquirem muito mais potência para pensar, imaginar e fazer grandes coisas.


A inteligência relacional e composta entre as partes é o que faz a diferença. Isoladas, o potencial de produzir efeitos de maior envergadura se desfaz.


Qual o poder de infecção de um vírus? Assim como o poder de autopreservação das amebas, não está dentro de cada pedaço de RNA, ou DNA, a competência em autopreservação do vírus está na competência coletiva desses pedacinhos em usar as células humanas para recombinar-se, multiplicar-se e diferenciar-se em novas formas. E a defesa do sistema imunológico é reagir a infecção através de uma interação inteligente entre elementos discretos como anticorpos e células de defesa formando uma força de defesa inteligente.


Tanto o poder de infecção quanto o de defesa contra ela estão na relação inteligente das partes. A vida e a sobrevivência parecem ser um jogo estratégico entre partes operando entre si com um todo.

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